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Março 27 / 2017

Relações humanas: causa e consequência

Precisamos falar de algo muito sério e espinhoso em nosso mundo: as relações interpessoais. Ouvimos tantas coisas negativas em relação a esse assunto que começamos a nos perguntar se de fato estamos conseguindo conviver como seres sociais. Quantas coisas acontecendo em nosso planeta que nos instigam a revermos muitas de nossas atitudes e princípios! Vamos a alguns fatos.
 
Hoje nos deparamos constantemente com grandes imigrações humanas. São pessoas que largam suas casas, sua terra, seus pertences, tudo o que conhecem e possuem para fugir de guerras e extremismos que ferem e matam.
 
Quantas notícias nos são apresentadas todos os dias sobre corrupção, violência, crimes bárbaros. Vivemos uma insegurança constante. Não sabemos o que podemos esperar da pessoa com quem nos relacionamos. Temos medo do outro. Medo de sermos assaltados, de sermos ludibriados, de sofrermos qualquer tipo de violência.
Sentimos que algumas realidades religiosas também nos influenciam de forma negativa. Quantas discussões entre famílias e amigos por intolerância em relação às concepções religiosas existentes. Onde não há diálogo verdadeiro e compreensão, há divisão e agressão.
 
Poderíamos enumerar diversas outras questões que dificultam e até mesmo impossibilitam as relações humanas. Mas temos que dar um passo a mais. Apenas reclamar não resolverá os problemas. Olhando para a realidade, temos que fazer dela conteúdo de trabalho. Se não queremos a sociedade que temos, temos que mudar a sociedade a fim de torná-la como desejamos.
 
Gostaria de apresentar algo que já venho pensando há muito tempo: somos permissivos nas causas, e condenativos nas consequências. Vou explicar com um exemplo. Diariamente, somos bombardeados com a afirmação de que a pessoa, para “ser feliz”, precisa ter determinadas coisas, se relacionar e ser a mulher “bonita” e o homem “bonito”. Não temos educação, saúde, segurança de qualidade. Até reclamamos, mas acabamos aceitando. Quando acontecem algumas barbaridades e desestruturações sociais, condenamos o indivíduo isoladamente, porém nos esquecemos do contexto. Incentivos externos, misturados com algumas patologias pessoais, podem desencadear atitudes que levam a consequências drásticas.
 
Já ouvimos falar que “somos o que comemos”. Já pensamos que esse provérbio também é adequado às questões sociais e humanas? Nos demos conta de que somos aquilo que vamos cultivando em nossas relações? Precisamos atacar as causas das doenças. Febre é sinal de que algo não está bem no nosso organismo. Não temos que atacar apenas a febre, mas sua causa. Muitas vezes, atacamos apenas a febre do momento da sociedade.
 
Pode nos ajudar a refletir o pronunciamento do Papa Francisco, em visita a Assis, onde disse que “sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma. São respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença. Não podemos ficar indiferentes. Hoje, o mundo tem a sede ardente de paz. Hoje, não rezamos uns contra os outros, como às vezes infelizmente se deu na história. Ao contrário, rezamos ao lado dos outros, uns pelos outros”.
 
Precisamos mudar atitudes se queremos transformar realidades. Temos a necessidade de reorganizar algumas estruturas humanas que estão sucateadas e abandonadas. Se faz urgente abandonarmos a inércia que nos torna insensíveis frente ao sofrimento humano, tendo o errôneo sentimento de que ele não é meu. Se é sofrimento humano e eu sou humano, logo o sofrimento é meu. Precisamos atacar as causas para minimizar as consequências. É uma atitude lógica.
 
Ir. Leandro Carlos Benetti SAC
 

Categoria : Especial