Notícia Comentários 37 Likes
Março 27 / 2017

Couro vegetal vira tendência na indústria

 

Por Dizy Ayala

 

 

 

Com um número crescente de alternativas vegetais e sintéticas ao couro animal, a indústria tem se voltado cada vez mais para essa opção em seu processo de produção. Além do vestuário e calçados, a linha de montagem tem usado couro vegetal nos revestimentos de bancos e assoalhos de carros e, mais recentemente, aeronaves, como no caso da companhia de aviação Gol Linhas Aéreas.

 

A Tesla foi a primeira a lançar um carro esportivo com todo revestimento feito de couro de fibras vegetais, seguindo seu princípio de aliar tecnologia ao propósito de utilizar apenas energia limpa. Este ano, também a icônica Ferrari lançou seu primeiro modelo com esse tipo de revestimento.

 

O couro vegetal é totalmente ecológico e sustentável, com maior qualidade, resistência e flexibilidade. Ao contrário do couro de animais, que fomenta a pecuária, maior vetor de danos ambientais, responsável pela poluição do solo, rios, e também à atmosfera, pela emissão de dióxido de carbono.

 

Quando o couro animal segue para os curtumes, é submetido a mais de quarenta diferentes químicos potentes e altamente poluentes do meio ambiente para torná-lo viável ao uso e manejo. Mesmo o dito “couro ecológico” apenas reduz parte do percentual de mercúrio e chumbo utilizado, mas ainda assim recebe a ação de todos os demais químicos, degradando a natureza.

 

Por essa razão, aliado ao crescente número de consumidores, a indústria, que em vários países já assumiu compromissos ambientais para a redução de poluentes, tem interesse em atender a essa promissora clientela, que está engajada com um estilo de vida sócio-ambiental que defende a natureza, seus recursos e espécies.

 

As matérias-primas para produção do couro vegetal são variadas. O conhecido látex, da seringueira, amplamente difundido no exterior, como no caso do Acre Latex Project, que tem consultoria do Sebrae, junto aos seringueiros da Amazônia. Também as folhas de abacaxi produzem um tecido maleável e resistente, próprio para revestimentos e calçados, o chamado Piñatex.

 

Cogumelos com aspecto muito similar ao couro animal, por sua característica carnuda e tons terrosos, bem como amido de milho, até sachês de chá, com uso no vestuário e acessórios, como bolsas e carteiras.

 

O chamado eco-couro, produzido a partir de fibras naturais como algodão e linho misturado com milho, soja e outros vegetais, está em fase de testes e atraiu o interesse de empresas como Nike, Puma e Adidas.

 

Enfim, toda essa inovação verde é muito promissora para o meio ambiente e denota ser a nova tendência para a indústria e para os consumidores.


Categoria : Notícia