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Dezembro 27 / 2016

Evangelho de Dezembro

(04/12/2016) – 2º Domingo do Advento

Leituras: Is 11,1-10; Sl 71,1-2.7-812-13.17; Rm 15,4-9; Mt 3,1-12

Convertam-se, pois o reino de Deus se aproxima

Estamos celebrando o segundo domingo do advento, tempo de preparação para o Natal. Quando olhamos à nossa volta, percebemos que o conjunto da sociedade fala e se prepara para essa festa. O problema é que ela é vista por muitos apenas como um grande motor da economia, a grande festa do consumo. Não é apenas nessa preparação que queremos nos envolver. Nós buscamos preparar-nos para a vinda do Senhor, que é outra coisa. Neste domingo, especialmente com a figura de João Batista, somos convidados a olhar na direção dos valores que estão além da pura materialidade. Somos convidados a realizar uma revolução na nossa mentalidade, de forma que a nossa vida seja marcada pelos valores do “Reino”. Se quisermos, somos chamados a uma conversão profunda.

 

Renova-se a esperança em um mundo de justiça e de paz

A primeira leitura nos apresenta um poema que alimenta o sonho do regresso a essa época ideal do reinado de Davi e que dá fôlego à corrente messiânica, em um momento histórico de uma forte crise da monarquia. Nesse momento, busca-se a força dos exércitos e alianças para fazer frente ao grande inimigo da época, a Assíria. O profeta condenou essas iniciativas, pois elas significavam colocar a confiança e a esperança no poder de exércitos, esquecendo-se de Javé, e isso mostrava sinal de infidelidade a Deus. Desiludido com a política dos reis de Judá, o profeta teria começado a sonhar com um tempo novo, sem armas nem guerras, de justiça e de paz sem fim. Tal “reino” só poderia surgir por iniciativa de Deus, já que os homens se revelavam sempre mais incapazes de conduzir o Povo por caminhos que os levassem a um futuro de paz verdadeira. O instrumento pelo qual Deus faria surgir esse tempo novo seria, segundo o profeta, um descendente de Davi. Esse rebento faria voltar o tempo de bem-estar, de abundância e de paz que o Povo de Deus experimentou durante o reinado de Davi. Ele seria capaz de fazer isso, pois é o Espírito de Deus que o acompanha e concede as qualidades dos famosos antepassados, a sabedoria e a perspicácia de Salomão. Ele não vai julgar segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer, pois não se deixará guiar por interesses escusos. Julgará os infelizes e humildes com justiça, mas para com os violentos utilizará a força de sua palavra.

Pela força do Espírito, terá início um “reino” em que os direitos dos mais pobres são respeitados e no qual os oprimidos conhecerão a liberdade e a paz. Desse “reino”, serão excluídas, definitivamente, todas as formas de injustiça, de mentira e de opressão. Para nós, cristãos, Jesus Cristo é o “Messias” que veio tornar realidade o sonho do profeta. Ele iniciou esse “reino” novo de justiça, de harmonia, de paz sem fim.

 

Uma voz clama no deserto: preparai o caminho do Senhor!

O Evangelho nos apresenta a figura de João Batista, que está pregando no deserto. Podemos resumir em uma palavra sua mensagem: conversão. Porém, conversão no sentido original da palavra que é de metanoia, mudança na forma de pensar, mudança de mentalidade, ou mudança de cabeça. Ela automaticamente significará uma mudança na forma de viver, pois a conversão precisa ser efetiva, produzir resultados práticos, não pode ser apenas ritual. Não dá apenas para dizer-se filho de Abraão, ou mesmo cristão, para resolver a questão e acharmos que já estamos salvos. Mesmo o cristão envolvido com a comunidade continua necessitando de conversão, de mudança de mentalidade.

João é uma figura que, por si só, nos questiona e interpela especialmente neste tempo em que nos preparamos para acolher a pessoa de Jesus. Ele é um homem que, não só com palavras, mas também com a sua própria pessoa, questiona um certo jeito de viver voltado para as coisas, para os bens materiais. João não está preocupado com suas vestes ou mesmo com comidas finas como nós costumamos fazer por ocasião do Natal. Esse jeito de João é um convite a uma conversão urgente, a uma mudança de valores no sentido de superarmos o supérfluo para darmos atenção ao essencial. E precisa ser urgente, porque o Reino dos céus está perto.

No entanto, João tem consciência que ele somente tem a missão de preparar para aquele que vem depois dele. Jesus será aquele que nos fará participar da vida do reino esperado e anunciado pelo profeta. O convite de Jesus não se restringe ao arrependimento e perdão dos pecados; significa um quadro de vida completamente novo, uma relação de filiação com Deus e de fraternidade com Jesus e com todos que buscam segui-lo. Como afirma Paulo na segunda leitura, Deus é o Deus da paciência, da consolação. Jesus dirá que Ele é um Pai misericordioso.

 

Reflexão

A questão dominante que o Evangelho nos apresenta é a da conversão. Não é possível acolher aquele que vem se o nosso coração estiver cheio de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência. É preciso, portanto, uma mudança da nossa mentalidade, dos nossos valores, dos nossos comportamentos, das nossas atitudes.

O que, prioritariamente, deve mudar na minha vida?

Estou disposto a essa mudança?

(11/12/2016) – 3º Domingo do Advento

Leituras: Is 35,1-6a.10; Sl 145,7.8-10; Tg 5,7-10; Mt 11,2-11

 

Alegrai-vos, pois a libertação está para chegar

A liturgia deste domingo lembra a proximidade da intervenção libertadora de Deus. Estamos nos aproximando do Natal e é fundamental reacender a esperança no coração de todos para percebermos os sinais da presença agora mais próxima de Jesus. Mas não vamos confundir. Nós não esperamos um simples curandeiro, nem um salvador da pátria; esperamos o Messias, que dá nova vida aos sofredores, à multidão cega, muda, surda, inválida. Especialmente a esses é a mensagem que nos diz: não vos inquieteis; alegrai-vos, pois a libertação está para chegar.

 

Tende coragem, não temais

A primeira leitura anuncia a chegada de Deus, para dar vida nova ao seu Povo, para o libertar e para o conduzir – num cenário de alegria e de festa – para a terra da liberdade. Isso se dá depois do profeta ter apresentado o julgamento de Deus e o castigo de Edom no capítulo 34. Em nosso texto de hoje, o autor descreve, por contraste, a transformação extraordinária do deserto sírio, pelo qual vão passar os israelitas libertados, que retornam do exílio. A intenção do profeta é consolar os exilados, desanimados, frustrados e mergulhados no desespero, porque a libertação tarda e parece que Deus os abandonou. O profeta quer ajudar o povo a entender que Deus não os abandonou e está para agir. Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo possa regressar em triunfo a Sião. O resultado da iniciativa salvadora e libertadora de Deus será que os olhos dos cegos se abrirão e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. O coxo não apenas andará, mas saltará como um veado; o mudo não apenas falará, mas cantará de alegria. A intervenção de Deus vai causar transformação e será geradora de vida nova para seu Povo. Esse caminho que o povo fará conduzido por Deus será como um novo êxodo. Por isso, nada de braços cansados ou joelhos cambaleantes, nada de medo, coragem! É Deus que vem para salvar! Se o caminho da liberdade e da vida é difícil, é um deserto, a certeza de que a salvação vem de Deus e está próxima deve nos animar e dar força e coragem.

No Evangelho, reaparece a figura do Batista. Ele agora envia seus discípulos para perguntar a Jesus se ele é o Messias esperado. Parece que João tinha algumas dúvidas, pois tinha dito que depois dele viria um mais forte que ele, e seria o juiz definitivo e implacável, mas agora ouve falar de Jesus que faz coisas que parece não corresponder exatamente a essa ideia de juiz rigoroso. Por isso, envia seus discípulos a Jesus, para se certificar se realmente ele era aquele que deveria ser esperado. Diante da questão trazida pelos discípulos de João, Jesus não dá uma resposta direta e afirmativa, mas convida a olharem os sinais que estão acontecendo. Os olhos dos cegos são abertos, a língua dos mudos é solta, os ouvidos dos surdos também abrem, os coxos andam, os leprosos são curados, e até os mortos ressuscitam, e a Boa-Nova é anunciada aos pobres. Para dar resposta, Jesus apresenta o núcleo da missão do Messias. Ele quer justamente que João e seus discípulos percebam que as profecias a respeito daquele que deveria vir estão se tornando realidade em sua ação. A conversão como mudança de cabeça agora é proposta para João e seus discípulos.

 

A salvação de Deus está chegando a seus pobres

Jesus não agia segundo a vontade e expectativa de alguns. Mesmo em nosso tempo, muitos não gostam disso, de dizer que a missão de Jesus é levar boa notícia aos pobres, esperança e força aos que são o resto da sociedade, abrir os olhos, os ouvidos, a boca aos que não têm vez e voz na sociedade. Muitos se escandalizam com a afirmação de que Jesus veio para libertar os oprimidos. João, ao deparar-se com a ação de Jesus, teve dificuldades para entender, não por ser tendencioso ou preconceituoso, mas por ser a proposta de Jesus a retomada de um caminho anunciado pelos profetas e esquecida pela religião em seu tempo. Por isso ele vacila, mas Jesus aponta para João como um sinal dessa mudança de perspectiva quando diz: “O que vocês foram ver no deserto?”. Jesus mostra que conhece a João e que ele não é nenhum pregador da moda, cujas ideias variam conforme as flutuações da opinião pública ou os interesses dos poderosos; nem é um charlatão bem vestido, que prega apara ganhar dinheiro, para defender seus interesses, ou para ter uma vida cômoda. Ele é um profeta, que recebeu de Deus uma missão e que procura cumpri-la, com fidelidade e sem medo. Não tem tudo claro, mas tem a confiança na ação de Deus, não se escandaliza com o novo que surge, só quer ter a certeza que estás seguindo aquele que realmente deveria vir.

Como comunidade dos seguidores de Jesus, somos chamados também nós a reconhecermos os sinais que confirmam que ele é o Messias, sinais estes que também deveriam nos identificar. Entre os sinais propostos pelo Evangelho de hoje, a evangelização dos pobres constitui o principal de que Jesus é o Messias esperado. Evangelizar não é impor a alguém um conjunto de doutrinas ou submetê-lo a leis e regulamentos. Evangelizar é levar a boa notícia, levar esperança e ânimo a quem precisa, aos pobres, aos sofredores, às vítimas deste mundo.

Reflexão

O nosso texto identifica Jesus com a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos homens. Neste tempo de espera, somos convidados a aguardar a sua chegada, com a certeza de que Deus não nos abandonou, mas continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-nos a salvação.

Como estou me preparando para a vinda do Messias?

Percebo e acolho o novo proposto por Jesus, ou estou amarrado, com a cabeça e o coração fechados para esta Boa-Nova?

18/12/2016) – 4º Domingo do Advento

Leituras: Is 7,10-14; Sl 23,1-4b.5-6; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24

 

Deus está conosco

A liturgia deste domingo nos coloca diante do anúncio de que Deus é conosco, o tempo da preparação da espera está no seu final, Jesus é o “Deus-conosco”, que veio ao encontro dos homens para lhes oferecer uma proposta de salvação e de vida nova. Como comunidade de fé, fizemos uma caminhada para esse momento que agora está muito próximo. Esperamos termos apurado nossa sensibilidade para percebermos o grande sinal de Deus.

A Virgem conceberá e dará à luz um Filho

Na primeira leitura, o profeta Isaías reflete um momento da história em que Judá, sob o reinado de Acaz, gozava de certa prosperidade econômica, porém ameaças de ordem política começavam a surgir. Os reis de Israel e da Síria planejavam derrubar Acaz do poder e pôr outro em seu lugar. Isaías vai até o rei para encorajá-lo e afirma que o plano de seus inimigos vai fracassar, pois Deus não permitiria que a dinastia de Davi, da qual Acaz era continuidade, desaparecesse. Ele sugere então para que o rei peça um sinal de Deus que confirme essa sua certeza. Mas o rei não crê e, com a desculpa de não tentar o Senhor, não pede tal sinal. O problema é que Acaz estava confiando mais na força de ter exército e nas alianças que pretendia fazer com os assírios do que na proteção de Javé. Mesmo assim, Isaías lhe indica qual será o sinal. E lhe fala de uma moça que terá um filho. Provavelmente, estava se referindo a jovem esposa de Acaz, e de Ezequias, o filho que esta lhe daria. O nascimento desse filho será a garantia de que a descendência de Davi continuará e de que, apesar do ataque dos inimigos, “Deus está conosco” e continua a cuidar do seu Povo, por isso Judá terá um futuro. Toda a esperança se concentra numa pessoa que, mais tarde, na tradição judaica, será o Messias. O nome simbólico dele será Emanuel, Deus-conosco. A tradição cristã, por sua vez, aplicou esse oráculo a Jesus; e Maria, a mãe de Jesus, passou a ser essa “virgem” nomeada no texto de Isaías.

Ela dará à luz um Filho a quem porá o nome de Jesus

Já o texto do Evangelho nos apresenta como se deu o nascimento de Jesus por intervenção direta de Deus. Diz que Maria, já comprometida com José, estava grávida antes que passassem a conviver. Diante do fato, José se vê diante de duas possibilidades: tornar público o fato e abandoná-la, mas isso significaria acusá-la de adúltera, e ele não queria. Pensou, então, na possibilidade de deixá-la sem provocar escândalo. Mas aí intervém o anjo e lhe indica um caminho que José não havia imaginado. Nem a denúncia pública nem a saída discreta; mas o de acolher a esposa, pois o filho que ela traz no ventre vem de Deus. E é isso que ele faz. Mas somente por ser um homem justo, como diz o Evangelho. A justiça atribuída a ele não se refere a um simples seguimento rigoroso da Lei, mas sim a alguém que já havia entendido a justiça como a vivência do Reino, em que Mateus insiste ser uma justiça alicerçada na misericórdia. Aqui, o Evangelho nos apresenta outra figura que nos interpela e questiona neste tempo de Advento, que é José. Ele é o homem a quem Deus envolve nos seus planos; planos que, provavelmente, lhe parecem misteriosos e inacessíveis, mas que ele não rejeita, pelo contrário, aceita numa atitude de confiança na Palavra de seu Senhor.

Percebemos que o Evangelho toma o texto de Isaías, o sinal do Emanuel, para demonstrar como tudo o que acontece agora realiza plenamente o que está no livro do profeta. Se, no passado, Acaz não quis ou não soube ler os sinais que Deus colocou diante dos seus olhos, não conseguiu fazer a escolha certa e acabou por conduzir o seu Povo por caminhos de morte e de desgraça, com José, é diferente, ele foi sensível à manifestação de Deus, percebeu e acolheu, e assim auxiliou para que o caminho da salvação se abrisse para toda a humanidade com o nascimento de Jesus.

Paulo, na segunda leitura, afirma que aquilo que Deus prometera por meio dos profetas a respeito de seu Filho agora se cumpre, pois Deus não abandona o seu Povo, mas é e será sempre o Deus-conosco. É por Ele que recebemos a graça e a missão de discípulos, a fim de levarmos todos à fé. Para Paulo, o anúncio do Evangelho não é uma forma de se sobressair, de se elevar acima dos outros, de adquirir importância e estatuto; mas uma missão que Deus confia àqueles que elege e que deve ser cumprida com amor e com espírito de serviço. Assim, ser cristão é ser chamado a testemunhar no mundo essa proposta de vida nova e de liberdade. Não se trata de aceitar umas fórmulas de fé muitas vezes empoeiradas, ou de cumprir certos ritos: trata-se de trazer ao mundo uma proposta viva, transformadora, libertadora, da qual damos testemunho com palavras e com gestos concretos.

Reflexão

Toda a liturgia deste final de semana insiste na afirmação de que Deus não abandona o seu povo, mas é e será sempre o Deus-conosco, que nos ama de tal forma que continua a vir ao nosso encontro.

Estamos atentos aos sinais que manifestam a presença de Deus em nossa vida?

Como cristão, sou chamado a testemunhar a proposta de Jesus. É isso que acontece?

Meu testemunho é transformador e libertador para os meus irmãos?

(24/12/2016) NATAL – MISSA DA NOITE

Leit. Is 9,1-6; Sl. 96; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14

 

Hoje nasceu para nós um Salvador, que é o Messias, o Senhor

O Natal é a festa da ternura, do amor de Deus para com a humanidade, é o filho amado do Pai que se faz pequenino e filho de um casal pobre para que se cumpra a promessa de Deus de fazer uma Aliança eterna de amor com toda a humanidade e de estabelecer o seu Reino no mundo. Celebrar solenemente a eucaristia vai muito além do fato de comemorarmos o nascimento de Jesus. Ela manifesta nossa certeza, nossa convicção de que Deus entrou em nossa história, se fez um de nós para nos salvar do sofrimento e da morte.

A esperança se faz história

O profeta Isaías dirige sua palavra a um povo que enfrentava sofrimentos terríveis, que havia travado batalhas que os deixaram em situação lastimável. O próprio profeta descreve essa realidade como sendo de “trevas” e “tenebrosa”. Diante de tal situação, Isaías anuncia que a salvação está próxima, e o faz com palavras carregadas de esperança: “Eis que surge uma luz”. Que luz é essa? Essa luz é um menino que está para nascer, ele tem qualidades extraordinárias, seu nome as manifesta: será sábio como Salomão (conselheiro admirável, Príncipe da paz, firmará o direito e a justiça), será também valente com Davi (guerreiro e forte como um deus, e pai para todos os povos). Em seus dias, desaparecerão da terra todos os sinais de injustiça, de exploração e de violência. O equilíbrio será restabelecido, e a justiça voltará a vigorar. Para o profeta, é a vitória dos pobres que se anuncia, eles se alegrarão como em tempos de colheita, como alguém que reparte os despojos de uma guerra. Não é que a opressão tenha mudado de lado, mas sim os pobres de Deus se alegrarão, pois estarão recuperando aquilo que o braço forte do tirano lhes tinha tirado. Nesse tempo, todos os instrumentos da opressão e as botas e a farda dos saldados servirá como combustível para a grande fogueira que iluminará todas as trevas.

Essa grande luz, esse menino anunciado pelo profeta, se faz presente, entra em nossa história com o nascimento de Jesus, o Messias. Ele o faz por caminhos alternativos, não segue o mesmo trilho dos poderosos. Desde o começo de sua vida, esse rei tem atitudes desconcertantes: Ele não nasce em um palácio, mas em um estábulo onde Maria, sua mãe, dá à luz sozinha, em meio a uma viagem. Nasce desprotegido por completo, na mais profunda solidão. Nasce como alguém sem importância, não tinha nenhum parente ou amigo para visitá-lo, muito menos alguém para comentar seu nascimento. Quando nascia alguém importante, mandavam mensageiros anunciar nas praças. Hoje, quando alguém importante, ou filho de pessoas importantes nascem, os meios de comunicação passam dias anunciando. No caso de Jesus, embora não tivesse todo esse aparato tecnológico, ninguém foi para as praças anunciar seu nascimento, ele foi anunciado pelos anjos apenas a alguns pobres e marginalizados pastores.

Lucas quer nos mostrar que a salvação não vem dos grandes que moram em seus palácios. Aparentemente, estes já têm tudo, “não precisam de Salvador”, mas sim daqueles que estão à margem da vida, não por eles serem melhores do que os demais, mas sim porque eles foram capazes de reconhecer que Deus tem seu próprio jeito de ser e se manifestar, pois certamente esperavam com maior ansiedade a vinda daquele que os libertasse da escravidão e das trevas.

O Salvador nasce pobre no meio dos pobres

Ainda hoje não é fácil para muita gente entender o jeito de ser de Deus. Muitos insistem em querer transformar esse menino que nasce entre os pobres em um rei poderoso que quer ser servido. Como nos é difícil compreende que o poder de Deus está em se tornar pobre e servidor da humanidade! Por termos dificuldade em nos colocar a serviço dos mais pobres, achamos também difícil reconhecer que Deus seja diferente, e acabamos fazendo um esforço danado para tentar impedir que Deus seja servidor dos pobres e excluídos.

Outra questão que nos parece muito importante é que esse reino de paz, de amor e de justiça, anunciado por Isaías e inaugurado com o nascimento de Jesus, não está concluído, ele ainda é como um “grão de mostarda” que precisa crescer e se desenvolver permanentemente, e essa é a missão daqueles que reconhecem, no menino nascido em Belém, a presença de Deus.

Reflexão

Diante de Deus que se faz pobre entre nós, nos perguntemos:

O que Deus está querendo nos revelar ao nascer em meio aos pobres excluídos?

Em nossa comunidade, qual é o lugar que os mais pobres ocupam?

O que nossa comunidade pode fazer para ajudar para que toda a nossa sociedade desperte para acolher e valorizar todas as pessoas?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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