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Agosto 05 / 2016

O fiel cão de Mozart

Carlos Alberto Veit
 
Em um mundo que às vezes parece tão desumano, os animais podem nos dar lições de vida.
 
Depois que eu vi o filme Amadeus minha opinião sobre Mozart nunca mais foi a mesma. Aquele ator (Tom Hulce) deu vida a um dos nomes mais destacados do cenário da música erudita em todos os tempos. Não foi por acaso que este filme ganhou oito prêmios Oscar em 1985, incluindo o de melhor filme e o de melhor ator.
Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salburgo, em 27 de janeiro de 1756. Foi o caçula de sete filhos, sendo que só ele e uma irmã, chamada Nannerl, sobreviveram às dificuldades da infância. Seu pai também era músico e tocava violino.
Desde a infância, Mozart foi considerado um prodígio. O pai, reconhecendo o talento do filho e sendo muito rigoroso, começou a lhe ensinar música aos quatro anos. No ano seguinte, com apenas cinco anos, o pequeno Mozart compunha suas primeiras peças. Com essa mesma idade, ele também já tocava teclado e violino. Sua fama se espalhou e logo foi convidado a se apresentar para a realeza europeia, mas nunca sua família ou ele souberam lidar bem com os ganhos oriundos de sua genialidade.
Em 1781, com quinze anos, Mozart decidiu parar de rodar pelas cidades e se estabelecer em Viena, a grande capital europeia da época. Sua saúde sempre foi precária e as constantes viagens pioraram ainda mais a sua situação física, mas seu talento ia superando todas as dificuldades.
Ele era descrito como pequeno, magro, pálido e com grandes olhos azuis. Ao todo, ele compôs mais de seiscentas obras para diferentes temáticas, incluindo várias óperas, como as famosas “As bodas de Fígaro”, “Don Giovanni” e “A flauta mágica”.
Mozart casou aos 26 anos, em quatro de agosto de 1782, com Constanze Weber e com ela teve vários filhos, mas a maioria faleceu quando ainda eram bebês.
Os historiadores acreditam que Mozart encontrou Beethoven (1770-1827) em Viena em 1787, e deu algumas aulas a ele. Outro aluno de Mozart que ficou famoso foi Johann Hummel (1778-1837), que teve aulas por longos anos.
 
MORTE PREMATURA
Mozart faleceu em 5 de dezembro de 1791, com apenas 35 anos de idade. Sua mulher já o tinha abandonado. Há muitas controvérsias sobre a causa da sua morte. Oficialmente ele teria morrido de febre miliar aguda, mas há suspeitas de que ele tenha sido envenenado por Antonio Salieri, que tinha inveja de seu imenso talento musical.
No fim da vida, Salieri tentou o suicídio e teria confessado a alguns amigos que tinha envenenado Mozart. No entanto, como ele estava com um estado mental confuso, não se sabe se essa declaração era reflexo da realidade ou da sua imaginação.
Mozart foi velado na catedral de Viena e sepultado sem acompanhamento em um cemitério simples, quase como indigente. Seus bens foram lapidados com extravagâncias e doenças, além de ser explorado por oportunistas que sabiam do seu valor como músico e compositor, mas não lhe repassavam devidamente os ganhos obtidos nas apresentações.
Constanze estava em Paris quando soube da morte do ex-marido. Foi a Viena e ficou inconformada ao constatar que ninguém sabia exatamente onde Mozart havia sido sepultado. Não havia placa ou qualquer outro objeto de identificação.
Decidida a encontrar o túmulo assim mesmo, ela começou a vasculhar o cemitério atrás de alguma pista. O tempo não ajudava, pois fazia frio e chovia muito. Felizmente, o grande compositor tinha um querido e fiel amigo, seu cão, que foi o único a ficar com ele até o fim no seu leito de morte.
Constanze, depois de muito procurar por entre os túmulos, avistou um pequeno corpo sobre uma cova rasa. O corpo estava congelado e era o do fiel cão de Mozart! Ele preferiu morrer a sair de perto do seu dono, demonstrando uma amizade que ultrapassou as barreiras da vida e da morte.
Graças à fidelidade de seu pequeno cão é que foi possível encontrar o corpo de Mozart. Hoje, quem visita seu mausoleu em Viena, encontra a estátua do grande gênio musical e de seu cachorro, que ficou a seu lado em todas as circunstâncias.
 
REFLEXÕES
 
Carl Rogers (1902-1987), um dos maiores psicólogos da história, ao analisar a sociedade contemporânea, observou e advertiu que faltavam dedicação e compromisso nos relacionamentos. Tudo parece muito superficial e, diante das primeiras dificuldades, os vínculos se rompem.
Zygmunt Bauman, atualmente com 90 anos, sociólogo polonês de renome, também observou algo semelhante ao referir-se aos laços humanos. Suas obras famosas, tais como Modernidade líquida e Amor líquido, apontam que aquilo que chamávamos de amor deixou de ter um aspecto de união estável para se tornar uma simples e efêmera experiência. Tudo e todos parecem ser descartáveis.
Fidelidade parece ter saído de moda, mas não podemos esquecer o que está escrito nos Evangelhos: “Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor!” (Mt 25,21).
Não se louva apenas a fidelidade ao Senhor, mas também a fidelidade às pessoas. “O amigo fiel é uma forte proteção, e quem o achou, achou um tesouro. Nada se pode comparar com um amigo fiel, e o ouro e a prata não merecem ser postos em balança com a sinceridade da sua fé. O amigo fiel é um medicamento de vida e de imortalidade” (Eclo 6,14-16).
Infelizmente, o que constatamos é que muitas pessoas só encontram tal fidelidade nos animais de estimação! Não é à toa que nas cidades grande proliferam as pet shops. Esses pequenos seres irracionais parecem ter e demonstrar um grande e comovente apego aos seus donos.
Para terminar, feliz daquele que tem bons e duradouros amigos! Procure preservá-los, pois possui uma fortuna em termos existenciais. Melhor ainda é quem também é fiel a Deus! Esse nunca será enganado e um dia receberá a coroa de louros dos que souberam priorizar a fé e colocaram sua maior esperança no Senhor! A vida eterna os aguarda!
 

Categoria : Artigo