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Dezembro 10 / 2015

Evangelho em sua vida

Evangelho em nossa Vida - dezembro 2015

Domingo do Advento (06 de dezembro de 2015)

Br 5,1-9 | Sl 125(126),1-6 | Fl 1,4-6.8-11 | Lc 3,1-6

 

Todos verão a salvação de Deus

Estamos vivendo o segundo domingo do advento, tempo em que o Salvador está sendo gestado novamente no seio de nossas comunidades e no coração de cada pessoa que se dispõe a acolhê-lo. A palavra que nos é dirigida neste final de semana faz referência a essa vinda de Cristo como fonte de júbilo. Mostra-nos que Deus acompanha o seu povo, promete-lhe o seu esplendor e o convida a ter um coração alegre, a viver em espírito de vitória e sem temer dificuldades. Para preparar os caminhos do Senhor, nos é exigida uma atitude de conversão e de mudança.

Ele vem trazer salvação para toda a humanidade

A primeira leitura (profeta Baruc) manifesta mais uma vez o empenho dos profetas em tentar animar o povo de Deus, fazer com que levantassem a cabeça e olhassem para frente, para o futuro. Para isso, ele utiliza uma imagem muito forte e significativa conhecida pelo povo, a da viúva abatida pelo luto. Era costume dos judeus que a mulher que perdesse o marido vestisse hábitos de luto, cobrisse a cabeça com véu e ficasse sentada no chão sem cuidar de sua higiene. Deixava de se banhar e de usar qualquer tipo de perfume, tornando-se, assim, um farrapo humano. Tudo isso para manifestar sua dor, seu sofrimento. É essa imagem que Baruc toma para manifestar a situação de seu povo. A dor do exílio que o fez separar-se de sua terra, de seus parentes, deixava-o em situação semelhante à da viúva enlutada. Mas o anúncio do profeta é de superação, pois está chegando ao fim esse tempo de dor. Por isso, ele convida Jerusalém, seu povo, a abandonar a atitude de luto e levantar a cabeça, trocar de roupa, embelezar-se e perfumar-se para o grande dia da vitória e de sua libertação. Se o período de luto foi longo, agora se vislumbra seu fim, pois Deus está a seu lado e quer construir uma nova história. Por isso, Jerusalém recebe novos nomes: ela será chamada paz da justiça e esplendor do temor de Deus. A paz que reinará em seus muros será fruto da vivência, da justiça e da misericórdia que vem de Deus, e não brotará da violência e da força das armas.

Quando olhamos em volta, percebemos que essa figura da viúva enlutada é uma constante em nosso meio. Quantas pessoas e grupos vivem como farrapos humanos, vitimados por uma injustiça institucionalizada? A mensagem de Deus para essas pessoas não pode ser distinta à dirigida ao povo desta primeira leitura: tira a veste de luto e de aflição e enfeita-te para o dia da grande libertação que se aproxima.

No evangelho, Lucas situa na história a pregação de João Batista que vem preparar a vinda do Messias. Existe a história, a vida daqueles que têm autoridade, que mandam. Um domina o mundo todo, outro uma região, o sumo sacerdote domina a religião. Mas não é a nenhuma dessas pessoas, cheias de poder e autoridade, nem em seus palácios, que Deus se revela e dirige a sua Palavra, mas a João, no deserto, e junto àqueles que não estavam conformados com o abandono da vivência da justiça e da misericórdia divina. A voz profética de João Batista representa o rompimento de um silêncio que durou um longo tempo, pois, por cerca de trezentos anos, havia deixado de surgir profetas entre o povo. João vem e retoma a linha profética de Isaías, anunciando que a vinda do Messias está próxima, e que é necessária uma mudança de atitude para que se possa acolhê-lo. Por isso: preparai o caminho, aplainai suas veredas; endireitai seus caminhos, e assim todo homem será salvo. Esta última afirmação é muito significativa. Para Lucas, a salvação não é dirigida a um pequeno grupo ou a um único povo, mas a todos que estiverem dispostos a acolher o Messias. Ninguém é excluído do projeto de Deus. Contudo, a salvação de Deus não pode atingir a quem não estiver preparado. Por isso, o apelo de João tem uma importância muito grande, pois nos convida a passarmos pelo batismo de conversão, isso é, mudarmos nossas atitudes diante de Deus e dos irmãos. Segundo Paulo, na segunda leitura, essa mudança passa pelo amor e pelo discernimento. Para que isso aconteça com o povo de Felipos, ele diz que reza continuamente, pois tem certeza que aquele que começou a dar a salvação há de levá-la à perfeição.

O amor e o discernimento como caminhos que preparam a vinda de Cristo

Cristo veio à humanidade pela primeira vez quando nasceu em Belém. Ele continua a vir ao coração de cada homem que o acolhe na fé e na caridade. A sua vinda mais preciosa e permanente é no coração de cada homem, principalmente daqueles que não se deixam corromper pelo poder deste mundo, e se mantêm fiéis ao plano de Deus.

Reflexão

Como nossa comunidade está se preparando para acolher a pessoa de Jesus Cristo neste Natal? Quais são os caminhos tortuosos que precisam ser endireitados em nossa comunidade? Se Deus não quer excluir ninguém de seu plano de salvação, alguém entre nós tem o direito de excluir o outro por ser pobre ou não ter o mesmo jeito de vida que nós?

 3º Domingo do Advento (13 de dezembro de 2015)

Sf 3,14-18a | (Sl) Is 12,2-3.4bcd.5-6 | Fl 4,4-7 | Lc 3,10-18

 

Que devemos fazer?

 

A liturgia deste final de semana está em continuidade com a do domingo passado, em que foi anunciado que o Senhor está para chegar e trazer a salvação a todo seu povo. As leituras fazem ver que esse Senhor está próximo, e sua presença fará desaparecer toda tristeza e angústia, pois ele afastará de seu povo todos os seus adversários. Deus nos quer alegres, sem medo. O que nos dá essa segurança é a certeza de sua presença no meio de nós, a certeza de que Ele nos ama. E se Deus está por nós, quem estará contra nós? Na celebração deste terceiro domingo do advento, queremos reafirmar nossa alegria de viver sob a proteção constante de Deus.

O Senhor é nossa força e a razão da nossa alegria

 Sofonias profetiza em um dos períodos mais difíceis e tristes da história do povo de Deus. O povo, guiado por seus dirigentes, havia se afastado do projeto de Deus. A corrupção e a idolatria tinham tomado conta de Jerusalém. Diante disso, ele anuncia o dia do Senhor. É o dia do terrível julgamento divino que atingirá principalmente as camadas dirigentes da sociedade judaica, que são as verdadeiras culpadas da idolatria existente e da injustiça social reinante. A esperança está na conversão! Mas apenas o povo pobre e humilde compreenderá e procurará refúgio em Deus (cf. 3,12-13). O nosso texto é o imediatamente seguinte a esse anúncio. O profeta, agora, se dirige especialmente aos pequenos, ao resto de Israel, e busca reanimá-los com o anúncio de que novos tempos estão próximos. É o próprio Deus quem assumirá a liderança. Ele os reorganizará a partir dos pequenos, e com eles construirá uma nova história.

Não resta dúvida de que um povo tomado pela dor e pelas enfermidades, submetido às contradições e dificuldades da vida, especialmente com o peso das próprias misérias, pode facilmente deixar-se tomar pelo abatimento, pelo desânimo e pela tristeza, tornando-se, assim, um povo amargo, impaciente. Conforme diz o provérbio, como a traça o vestido, e o caruncho a madeira, a tristeza rói o coração do homem. Não é essa vida que Deus quer para os seus, por isso Sofonias anuncia: solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal.

O evangelho também é a continuação do texto lido no domingo passado. Depois que João convidou o povo a uma atitude de conversão para que pudesse acolher o Messias e participar da nova história, muitas pessoas se aproximaram dele e perguntaram: que devemos fazer? Certamente, muitos esperavam que João lhes indicasse, como penitência, o cumprimento de alguns ritos, a recitação de algumas orações já decoradas. Mas não é isso que acontece. João indica atitudes muito concretas. Por isso, ao povo que lhe pede o que deve fazer, João indica o caminho da partilha: Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem nenhuma; e quem tiver o que comer faça o mesmo. Aos publicanos, João diz que não exijais nada além do que vos foi prescrito, ou seja, aprendam a viver a justiça. Quando os soldados perguntam, e nós, o que devemos fazer? Ele responde-lhes: Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso salário. Se quisermos: não se aproveitem da autoridade ou do cargo que vocês têm para explorar e humilhar o outro.

A conversão pregada por Batista leva sempre a atitudes concretas de mudança de vida. Enquanto existirem pessoas que se dizem cristãs escandalosamente ricas, ao lado de outras que vivem na mais absoluta miséria, a voz de João Batista deve ressoar forte: aplainem essas diferenças, endireitem esse caminho para que o Messias possa chegar. É certo que isso não é tudo. O próprio João reconhece a insuficiência e o caráter transitório do seu anúncio e batismo, pois o batismo no Espírito Santo é o próprio Messias quem lhes dará e, com ele, a plenitude da vida.

Não temais, nem vos deixeis abater, mas alegrai-vos sempre no Senhor

Como seu povo, Deus nos quer sempre de cabeça erguida, cheios de vida e radiantes de alegria. E o Evangelho aponta três atitudes que devemos tomar se quisermos fazer a experiência da alegria prometida para aqueles que acolhem o Cristo que vem: compartilhar os bens que possuímos, não praticar injustiças e não oprimir ninguém. Ou seja, a alegria cristã consiste em seguir Jesus Cristo, abandonar-se a Ele, deixar-se transformar pela sua graça e renovar-se pela sua misericórdia.

Reflexão

Diante da Palavra de Deus proposta, e da insistência do Papa Francisco para descobrirmos sempre mais a alegria do Evangelho, perguntemo-nos: em nossa comunidade, há alegria no seguimento de Jesus ou vivemos acabrunhados e deprimidos? Qual é o nosso empenho na construção de um mundo de justiça e fraternidade? Como Comunidade cristã, qual é nossa missão? O que devemos fazer?

 4 Domingo do Advento (20 de dezembro de 2015)

Mq 5,1-4a | Sl 79(80),2ac.3b.15-16.18-19 |  Hb 10,5-10 | Lc 1,39-45

É bendito o fruto do seu ventre?

Estamos próximos da grande festa do Natal, do nascimento de Jesus, e a liturgia deste final de semana aponta esse fato como o cumprimento da promessa que Deus fizera a seu povo (primeira leitura). Importante notar que, para o cumprimento dessa promessa, Deus escolhe instrumentos entre os mais humildes como: Belém, Isabel e Maria, e aqueles lugares e pessoas que normalmente a sociedade julga serem os menos dignos. Esse mesmo Deus quer marcar presença em nossas comunidades, em nossas famílias. Somente com uma atitude de humildade é que poderemos reconhecê-lo e acolhê-lo.

 

A força de Deus se manifesta na fraqueza

No tempo do profeta Miqueias, a situação não era nada boa, muito parecida com a que vivemos atualmente. A violência estava disseminada por todo o território. A corrupção chegara, inclusive, aos tribunais e ao templo. Os juízes vendiam sentenças, enquanto os profetas e sacerdotes preocupavam-se apenas em acumular bens. O rei Ezequias era um homem bom, mas fraco, não conseguia impor-se, e o caos tomava conta da sociedade. Diante da grave situação que pesava sobre o povo, o profeta tem palavras de esperança: após a ruína, virá a restauração que se fará por meio de um descendente de Davi. Ele não sairá dos palácios, do meio dos nobres e importantes, nem do templo, pois nesses ambientes a justiça divina parece não ter mais espaço. Ele surgirá de uma pequena e humilde cidade, Belém, e agirá como um pastor. Dessa forma, haverá tranquilidade e paz em toda a terra.  

Embora se atribua essa profecia a Cristo, a impressão é de que Miqueias estava pensando num novo rei muito humano, forte, capaz de reorganizar o povo de Deus, pois essa era a aspiração de todos os judeus. Embora não seja exatamente esse o projeto de Deus, as palavras do profeta são um convite à renovação das esperanças. A espera da humanidade não será frustrada, já está chegando o tempo da justiça e da paz. Porém, isso não se dará através da força do homem, mas fundamentalmente pela ação de Deus.

O Evangelho, por sua vez, apresenta o relato do encontro de Isabel e Maria. É importante notar que, para que esse encontro aconteça, Maria se esquece de si, mesmo grávida, para colocar-se a serviço de Isabel. Para isso, tem de empreender uma dura viagem. Necessitaria alguns dias de caminhada, o terreno era difícil e montanhoso, nada disso foi empecilho, pois ela é movida pela caridade e pelo espírito de serviço. Ou seja, Isabel necessitava, e pouco importavam as dificuldades. Quando alguém está necessitando de ajuda, a mãe do meu Senhor não fica em casa à espera de que os anjos e os homens venham servi-la. Ela mesma, que se chama escrava do Senhor (v. 38), a sua humilde serva (v. 48), dirige-se apressadamente para a montanha a fim de se tornar criada da sua prima.

Quando se dá o encontro, percebemos duas mães agradecidas com o dom da fecundidade e da vida. E os motivos para essa ação de graças eram fortes: Isabel era velha e estéril. Para a cultura judaica, um fracasso como mulher. Maria, por sua vez, não teve relação com nenhum homem. As duas agora estavam grávidas e convencidas que isso só foi possível por causa do amor, da ação de Deus. Essa realidade mostra, sobretudo, que Deus se revela aos pobres e faz neles sua morada permanente. Aqueles que a sociedade considera como um fracasso tornam-se o lugar, por excelência, da manifestação e da morada de Deus.

A salvação se manifesta em meio aos pobres

Esse relato da visita de Maria à sua prima Isabel apresenta duas características fundamentais para quem quer ser discípulo de Jesus: atenção e adesão absoluta à palavra de Deus e, consequentemente, colocar-se a serviço, de forma incondicional, de quem esteja necessitando. E assim floresce o mundo novo. É a vitória do projeto de Deus. Com Maria, também somos chamados a participar dessa gloriosa vitória, vivendo o projeto de Jesus que vence, não pela truculência e pela força dos poderosos que exploram, escravizam e destroem, mas pela força da entrega da vida e do serviço que possibilitam uma vida humana digna e feliz. Foi isso que o próprio Cristo fez. Paulo diz isso claramente na segunda leitura: eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade (V.7).

Reflexão

Estamos muito próximos de celebrar o nascimento de Jesus Cristo, no caminho de preparação que o advento nos propõe nos deparamos com a presença de Maria que não apenas foi capaz de acolher a proposta de ser a mãe do Salvador, mas descobrir-se como servidora, por isso vai as pressas para junto de Isabel. Diante desse exemplo, podemos nos perguntar.

Existe em nós e em nossa comunidade espírito de serviços?

Quando alguém está sofrendo e necessitando de auxilio temos pressa em ir a seu encontro?

Quem, em nossa comunidade, neste momento, está necessitando de nossa presença?   

 

NATAL – MISSA DA NOITE

Leit.  Is 9,1-6;  Sl. 96; Tt 2,11-14;   Lc 2,1-14

HOJE NASCEU PARA NÓS UM SALVADOR, QUE É O MESSIAS, O SENHOR

O Natal é a festa da ternura, do amor de Deus para com a humanidade, é o Filho amado do Pai que se faz pequenino e filho de um casal de pobres para que se cumpra a promessa de Deus de fazer uma Aliança eterna de amor com toda a humanidade, e de estabelecer o seu Reino no mundo. Celebrar solenemente nesta noite a eucaristia vai muito além do fato de comemorarmos o nascimento de Jesus. Ela manifesta nossa certeza, nossa convicção de que Deus entrou em nossa história, se fez um de nós para nos salvar de todo sofrimento e morte.

 A ESPERANÇA SE FAZ HISTÓRIA

O profeta Isaías dirige sua palavra a um povo que enfrentava sofrimentos terríveis, havia travado batalhas que os deixaram em situação lastimável, o próprio profeta descreve essa realidade como sendo de trevas e tenebrosa. Diante dessa situação, Isaías anuncia que a salvação está próxima, e o faz com palavras carregadas de esperança: eis que surge uma luz. Que luz é essa? Essa luz é um menino que está para nascer, ele tem qualidades extraordinárias, seu nome as manifesta: será sábio como Salomão (conselheiro admirável, Príncipe da paz, firmará o direito e a justiça), será também valente com Davi (guerreiro e forte como um deus, e pai para todos os povos). Em seus dias, desaparecerão da terra todos os sinais de injustiça, de exploração e de violência. O equilíbrio será restabelecido, e a justiça voltará a vigorar. Para o profeta, é a vitória dos pobres que se anuncia, eles se alegrarão como em tempos de colheita, como alguém que reparte os despojos de uma guerra. Não é que a opressão tenha mudado de lado, mas os pobres de Deus se alegrarão, pois estarão recuperando aquilo que o braço forte do tirano lhes tinha tirado. Neste tempo, todos os instrumentos da opressão, as botas e a farda dos soldados servirão como combustível para a grande fogueira que iluminará todas as trevas.  

Essa grande luz, esse menino anunciado pelo profeta, se faz presente, entra em nossa história com o nascimento de Jesus, o Messias. Ele entra por caminhos alternativos, não segue o mesmo dos poderosos. Desde o começo de sua vida, esse rei tem atitudes desconcertantes: Ele não nasce em um palácio, mas em um estábulo onde Maria, sua mãe, dá à luz sozinha, em meio a uma viagem. Nasce desprotegido por completo, na mais profunda solidão. Nasce como alguém sem importância, sem parentes ou amigos para visitá-lo, muito menos alguém para comentar seu nascimento. Quando nascia alguém importante, mandavam mensageiros anunciar nas praças. Hoje, quando alguém importante, ou filho de pessoas importantes nascem, os meios de comunicação passam dias anunciando, até transmitem o parto ao vivo. No caso de Jesus, embora não tivesse todo esse aparato tecnológico, ninguém foi para as praças anunciar seu nascimento, ele foi anunciado pelos anjos apenas para alguns pobres e marginalizados pastores.

Lucas quer nos mostrar que a salvação não vem dos grandes que moram em seus palácios, aparentemente estes já têm tudo, “não precisam de Salvador”, mas sim daqueles que estão à margem da vida. Não por eles serem melhores do que os demais, mas sim porque eles foram capazes de reconhecer que Deus tem seu próprio jeito de ser e se manifestar, pois certamente esperavam, com maior ansiedade, a vinda daquele que os libertasse da escravidão e das trevas.

O SALVADOR NASCE POBRE NO MEIO DOS POBRES

Ainda hoje não é fácil para muita gente entender o jeito de ser de Deus. Muitos insistem em querer transformar esse menino que nasce entre os pobres em um rei poderoso que quer ser servido. Como nos é difícil compreender que o poder de Deus está em tornar-se pobre e servidor da humanidade! Porque nós temos dificuldades em nos colocar a serviço dos mais pobres, temos dificuldades em reconhecer que Deus é diferente, e acabamos fazendo um esforço danado para tentar impedir que Deus seja servidor dos pobres e excluídos.

Outra questão que nos parece muito importante é que esse reino de paz, de amor e de justiça, anunciado por Isaías e inaugurado com o nascimento de Jesus, não está concluído, ele ainda é como um “grão de mostarda”, precisa crescer e se desenvolver permanentemente, e essa é a missão daqueles que reconhecem no menino nascido em Belém a presença de Deus.

Reflexão

Diante de Deus que se faz pobre entre nós, nos perguntemos:

O que Deus está querendo nos revelar ao nascer em meio aos pobres excluídos? Em nossa comunidade, qual é o lugar que os mais pobres ocupam? O que nossa comunidade pode fazer para ajudar para que toda a nossa sociedade desperte para acolher e valorizar a pessoas, das mais simples e pobres?

 

Sagrada Família: Jesus, Maria e José (27 de dezembro de 2015)

1Sm 1,20-22.24-28 | Sl 83(84),2-3.5-6.9-10 | 1 Jo 3,1-2.21-24 | Lc 2.41-52

Jesus desceu com seus pais para Nazaré e era obediente a eles

Celebramos, neste primeiro domingo que sucede o nascimento de Jesus, a festa da Sagrada Família. Através dela, tornamos presente e valorizamos a vida de nossas famílias com suas alegrias e sofrimentos, conquistas e conflitos, ao mesmo tempo em que reafirmamos nossa certeza de que elas estão sendo conduzidas e sustentadas por Deus para que possam ser, sempre mais, sinais do amor do Pai. Também como família de Deus, estamos concluindo mais um ano de caminhada, queremos reconhecer o que de bom conseguimos realizar e ofertar a Deus, como gesto de gratidão, por ter nos acompanhado neste tempo.

Os pobres formam a família de Deus

O livro do Eclesiástico faz parte dos livros sapienciais, isto é, dos textos que tratam da sabedoria de viver. Esses escritos têm uma importância muito grande para o povo judeu. Ele foi escrito com a finalidade de ajudar o povo a recuperar suas raízes e identidade. Por isso, era utilizado na educação dos jovens nas escolas e se tornou, depois do livro dos Salmos, o mais lido de todo o Antigo Testamento. O texto proposto como primeira leitura apresenta o espírito que deveria reger a vida de uma família judaica, para isso mostra os deveres dos filhos em relação a seus pais. Eles podem ser resumidos em uma única palavra: honrá-los. E diz mais, aquele que honra seus pais terá vida longa. Não se trata de uma espécie de seguro que Deus oferece para aqueles que aprenderam a respeitar os mais velhos. É mais uma constatação. Numa família ou numa sociedade em que os filhos perdem o respeito pelos pais e que não aceitam mais sua palavra e seu afeto, com muita facilidade se tornam famílias e sociedades desintegradas e violentas.

Hoje, em muitos ambientes, tem-se a impressão de que a autoridade de pais e mães está fora de moda. Não pensemos naquela autoridade estilo ditador, essa não tem razão de ser, mas mesmo a autoridade positiva, aquela que orienta, que acompanha, é rejeitada. Porque alguns, que não são muito sérios, pregam que a autoridade familiar é a causa das dificuldades e traumas dos filhos, o honrar e respeitar os pais foi ficando para trás. O resultado disso todos nós conhecemos.

O Evangelho, por sua vez, apresenta um acontecimento frequente entre as famílias judaicas: irem em peregrinação até Jerusalém. Jesus estava com seus pais, pois quando os meninos judeus completavam doze anos, começavam a ter os deveres e direitos da lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É nesse contexto que se desenrola o relato deste final de semana. Jesus não voltara com seus pais, ficara em Jerusalém e discutia com os doutores da lei, causando-lhes admiração.

A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é, no mínimo, intrigante. Não deveria ter pedido permissão ou avisado os pais ou outros familiares que pretendia permanecer na cidade? O que não faz sentido é buscar a explicação do que aconteceu numa rebeldia ou na irresponsabilidade de um adolescente. Não podemos nos esquecer de que Lucas está escrevendo muito tempo depois da ressurreição, e tem muito presente que esse rapaz é o Filho de Deus. Dessa forma, o menino perdido já não é tão menino, pois é um jovem no pleno uso dos seus direitos como judeu, na verdade é um profeta que realiza uma ação simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai? Ele é o filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, ainda que isso lhe custe e tenha que fazer sofrer aqueles que mais ama; seus pais estavam aflitos à tua procura (v. 48). Esse episódio acontece em Jerusalém, como prenúncio de um sofrimento bem maior também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o próprio sofrimento e o dos seres mais queridos.

Jesus crescia em sabedoria e graça

O texto conclui dizendo que Jesus voltou com seus pais para Nazaré e se manteve submisso, e crescia em sabedoria, em estatura e graça diante de Deus e dos homens. Isto é, quando Deus se encarnou, ele assumiu toda a nossa condição humana, ele não só quis nascer numa família pobre, mas fez morada permanente em seu meio. Quis ser educado, crescer com eles. Esse é o lugar privilegiado para formar-se como homem. Em linguagem de hoje, Deus se faz homem numa família popular e nela é educado.

Reflexão

Diante da Sagrada Família e da palavra que Deus apresenta, podemos perguntar-nos: como é a minha família? Quais são os sentimentos, os valores que nos guiam? Nossa comunidade consegue viver como família de Deus? Quais são os sinais que manifestam essa realidade? Deus se fez pobre e desde o início reuniu à sua volta os pobres e os tratou com muito carinho. Em nossa comunidade, qual é o lugar ocupado pelos mais pobres e simples?


Categoria : Artigo