LUGAR NA PRATELEIRA: CRÔNICAS E LIVROS

MAIS COR, POR FAVOR!

 

Tenho achado o mundo muito sem cor! Há um certo clima de pessimismo, que ronda a cabeça e a vida das pessoas, que se esconde no núcleo da palavra “crise”, que acaba servindo de explicação para essa energia cinzenta que se espalhou no ar.

Mas aí chega o verão e a explosão do brilho do sol injeta uma luminosidade em tudo, não é? Chego a pensar que a “lucidez” do sol clareia também a vida das pessoas, por dentro, claro! Ops! Claro aqui pode ser tomado ao pé da palavra (ih, palavra tem pé?). Hahahaha. Deixe que a brincadeira tome conta do nosso discurso!

Para começar, o dourado do sol na pele faz todo mundo parecer mais saudável, mais descolado, mais participante das atividades requeridas pelo cotidiano. De todas as estações, o verão fica sendo sinônimo de leveza, de estar mais à vontade com os dias que já não pesam tanto. Em geral, é tempo de férias (claro que isso acaba sendo associado às férias escolares das crianças!) e de mais, muito mais ação. As pessoas estão mais nas ruas, o horário de verão prolonga as caminhadas, os esportes a céu aberto, as horas dedicadas às atividades físicas. Então, não é só o bronzeado da pele, é o estar “corado” pela prática de exercícios.

Há mesmo uma série de jogos e brincadeiras de verão, como jogar frescobol, peteca, frisbee (esses discos voadores, coloridos, em geral de plástico, que vem às nossas mãos, quando bem arremessados... atividades com o frisbee foram reconhecidas como “esportes olímpicos” em 2015 e já há até uma federação e regras oficiais), vôlei, futevôlei, passeios de bicicletas, natação e caminhada... As caminhadas nos parques, na beira do mar, nas ciclovias, nos calçadões. Parece que todos ficam mais dispostos para a prática dos esportes e para sair do sedentarismo. E para ir em direção ao outro.

Mas o que mais atrai o meu olhar nesse período de noites mais curtas e dias mais longos é o colorido das roupas. As pessoas se permitem uma ousadia no vestir que lhes devolve uma espécie de teatralidade entruda, de figurino momesco, de alegria carnavalesca, de brincadeira visual em que tudo é permitido. E voltam os desenhos geométricos com corres berrantes, e tomam conta dos corpos os tecidos floridos, os achados étnicos, os calçados divertidos e ganham destaque os adornos coloridos, nos braços, orelhas e pescoços. E até aumenta o número de pessoas que se decidem pelas tatuagens coloridas, evidentemente! É o período em que as cores cítricas fazem a nossa festa!

Tudo o que o verão pede está ligado a um certo culto da cor. E a radiação eletromagnética que as cores emanam ajuda mesmo a mandar para longe esse “tempo de vacas magras” que querem nos imputar a todo custo! Cor produz no olho muitas sensações que se espalham pelo corpo.

Pois que as cores da vida leve se espalhem para as outras áreas. É também a época das saladas mais coloridas, dos sorvetes de frutas de todas as cores, dos sucos multicoloridos estalando nos balcões das lanchonetes. Estou convencido de que ingerir cor é também uma maneira de ensinar para o nosso corpo o caminho das boas vibrações.

Para completar, no Rio Grande do Sul, há uma proliferação dos vendedores de mantas e redes coloridas com padrões de desenhos típicos do norte e nordeste que fazem a alegria das casas de veraneios. A cor, combinada a um estilo de vida mais para fora, mais comunitário, mais voltado para o outro, e como modo de colocar mesmo os nossos sentimentos à mostra pode ser a solução. Cor para espantar a crise! Já!

 

Post scriptum: li recentemente um livro lindo que tem como assunto a cor. “Todas as cores de Malu”, de Rosana Mont’Alverne (editora Aletria) investe na tentativa de mostrar que os sentimentos também têm cores. E, para fazer um contraponto, vale ler também o já clássico “Davi acordou cinza”, de Mirna Pinsky (editora Atual). O que precisamos mesmo é aprender, desde pequenos, a viver de uma maneira colorida!