Críticos e cítricos

Críticos e cítricos têm em comum as ponderações feitas sobre fatos e acontecimentos. O que diverge de um para o outro são a forma e o foco. Os interesses de ambos são como flechas em direções contrárias. Cada um pensa que está prestando um excelente serviço, mas os resultados não cabem no mesmo lado da balança.

No meio da humanidade, os críticos sempre foram enaltecidos e valorizados. Suas observações merecem atenção, pois a meta é o bem comum. O dom da crítica cresce proporcional ao conhecimento das questões em pauta, bem como de suas resoluções. Crítica e bagagem são conjugadas no presente, com vistas ao futuro. Sem dúvida, há um desejo de encontrar críticos e de fomentar novas lideranças para essa finalidade. Eles almejam ajudar quem está passando por dificuldades ou que precisam de melhoras.

Os cítricos, por sua vez, fazem jus à sua característica, ou seja, são azedos, negativos e egoístas. Eles veem pouco o bem do próximo. Seu objetivo gira em torno do seu umbigo. Custa-lhes aceitar que o outro possa estar bem. Em suas colocações, o verbo denegrir está muito presente. O foco é azedar a vida, dando a ideia de que nada serve.

No cotidiano das pessoas, o lado negativo aparece com mais facilidade. O pensar de que algo vai dar errado emerge com mais frequência do que a perspectiva do sucesso. Esse é um sentimento a ser trabalhado. Muitos até desconfiam quando estão sem problemas. Por isso, investir em projeções promissoras, em perspectivas positivas, em pensamentos altruístas e em atitudes de misericórdia são caminhos para uma vida mais alegre, feliz e realizadora.

Rodrigo Fiori e Marciane, com os filhos Gabriel e Isabela, buscam ser mensageiros do bem e das coisas boas. Para Rodrigo, a vida nos é presenteada para sermos um presente para os outros. “Serei uma pessoa boa à medida que em mim o bem sobressair. Recordo-me do ensinamento recebido de minha família, de valorizarmos as outras pessoas, vendo nelas os dons e os talentos que receberam de Deus. Foi dessa forma, ao conhecer minha esposa e mãe de meus filhos, que olhei para a Marciane. Vi nela muito mais as qualidades, as virtudes, do que os defeitos. Algumas pessoas me perguntavam se eu ia mesmo namorá-la. Não ignorei as falhas, mas usei de misericórdia. Com isso, pude conhecê-la como grande bênção de Deus para minha vida".

Marciane observa: "Fui educada para ter bom senso das coisas. Aprendi a ser crítica naquilo que faço e também nas coisas que observo. Não sou de procurar defeitos para ter assunto, pois quem procura acha. Sou de ajudar. Faço isso na aproximação e na compreensão. Sei que uma crítica na hora imprópria complica ainda mais a situação. Percebo quando minhas palavras encontram eco no coração e na vida das outras pessoas".

O filho Gabriel, de 9 anos, aprendeu cedo com seus pais a arte de livrar sua irmã de situações adversas. Ele conta: "Quando criança, eu já acompanhava meus pais na Igreja. Certo dia, saí do banco e fui advertido para não fazer mais isso. Em uma celebração, minha maninha tentou colocar um pé fora do banco. Logo falei para ela não fazer isso, porque meus pais não aprovariam a atitude. Ela prontamente atendeu. Eu poderia ter optado em querer vê-la sofrer a mesma reprimenda que sofri. Pensei, porém, em livrá-la disso, pois não traria nenhuma satisfação para mim. Com meu comportamento, ela ficou mais minha amiga ainda. Senti-me feliz. Hoje percebo que o bem é muito mais interessante do que o mal. Além disso, lá em casa, os pais são exigentes. Eles querem que a gente faça coisas boas".

Como família, a busca é por edificar o lar com os valores do respeito e da dignidade. "Deus nos deu os filhos para que os preparemos para serem uma dádiva a outras pessoas. Nosso compromisso de pais é maior do que podemos imaginar. Muitas vezes, além de participar ativamente da Igreja, dobramos os joelhos para compreender a vontade divina. Antes de casar, éramos grandes amigos. Nós rezávamos para que encontrássemos cônjuges cristãos e que fossem participantes da Igreja, pois sempre imaginamos ser impossível educar os filhos sem Deus. O que não imaginávamos, aconteceu, pois começamos a namorar.

Quando iniciamos nosso namoro, combinamos de ajudar um ao outro. Sabíamos, e hoje o sabemos ainda mais, que nem sempre estamos corretos nem fazemos as coisas da melhor maneira possível. Quando alguém não está bem, a aproximação tem a marca samaritana, pois apontar o erro na perspectiva de arrasar o outro não convém e não faz bem. Nossa meta é o da compreensão, do apoio e da superação", destacam Rodrigo e Marciane.

As pessoas crescem na proporção em que são amadas. É o amor que educa e que torna gente. Cabe-nos o questionamento de nossas atitudes, porque convém que nos perguntemos sobre o jeito que olhamos para a nossa vida e a de nosso próximo. Esse enfoque nos ajudará a sermos mais misericordiosos. Somente quem se conhece é capaz de perceber se seus atos são mais críticos ou cítricos.

Pe. Romeu Ullrich